Preocupades pelos desdobramentos da atualidade e as notícias que chegam do Nordeste da Síria, es militantes do CCLA convidam todes es interessades a se mobilizar em defesa de Rojava.
De fato, há algumas semanas que a situação em Aleppo ou em outras cidades geridas pelos conselhos populares multi-étnicos e as YPG e YPJ do Nordeste sírio parece ser cada vez mais complicada peles revolucionáries que combatem desde pelo menos 2014 contra as forças mais reacionárias que existem naquela região do mundo: Estado Islâmico, Turquia, etc.
Aqui um resumo da situação:
Desde o dia 6 de janeiro de 2026, Rojava e os bairros curdos de Aleppo (Ashrafieh e Sheikh Maqsoud) vêm sendo alvo de uma ofensiva militar brutal conduzida pelo chamado governo de transição da Síria, apoiado por forças jihadistas e coordenado regionalmente pela Turquia. Esses ataques provocaram o deslocamento forçado de mais de 200 mil pessoas, em sua maioria refugiadas de Afrin, e inauguraram uma nova fase de violência sistemática contra a Administração Autônoma Democrática do Norte e Leste da Síria (AANES).
O objetivo dessa ofensiva é claro: aniquilar a Revolução de Rojava, uma experiência política construída há mais de 14 anos por povos curdos, árabes, assírios e outros, baseada no confederalismo democrático, na organização comunal, na libertação das mulheres e na defesa da vida contra o capitalismo, o Estado e o patriarcado. Rojava representa uma alternativa concreta às ditaduras, ao sectarismo religioso e à barbárie capitalista na região.
A ascensão de Al-Jolani, ex-Al-Qaeda, ex-Estado Islâmico e líder do Hayat Tahrir al-Sham (HTS), ilustra a dimensão da farsa política em curso. Após tomar Damasco em dezembro de 2024, passou a governar sob o nome de Ahmad Al-Shara, sendo rapidamente legitimado por potências ocidentais como “presidente de transição”. Apesar do discurso diplomático, seu governo foi responsável por massacres sucessivos: primeiro contra alauítas em Latakia, depois contra drusos em Suwayda e, agora, contra os curdos.
Em 5 de janeiro de 2026, em Paris, Al-Shara reuniu-se com representantes de Israel, sob garantia direta dos Estados Unidos e com a presença do governo turco. O acordo selado reorganizou zonas de influência, entregou territórios e garantiu interesses estratégicos regionais às custas de Rojava. No dia seguinte, bandeiras israelenses tremulavam no sul da Síria. Pouco depois, a União Europeia anunciava centenas de milhões de euros em “ajuda à reconstrução”, buscando legitimar diplomaticamente um pacto firmado com sangue.
Enquanto discursos oficiais falam em direitos das minorias, no terreno multiplicam-se os crimes: bombardeios, invasões, feminicídios, libertação de milhares de prisioneiros do Estado Islâmico e uma campanha massiva de desinformação. Os ataques contra Rojava chegaram a ser oficialmente qualificados como “Futuhāt” — “conquistas contra infiéis” — pelo próprio aparato religioso do Estado sírio.
Diante disso, as Forças Democráticas da Síria (FDS) e as YPJ rejeitaram subornos, acordos fraudulentos e a capitulação. Declararam mobilização e resistência total, defendendo seus territórios a partir das comunas, dos bairros, das assembleias e da auto-organização popular. As mulheres se levantam contra a cultura do estupro e do feminicídio; os povos se defendem para preservar uma forma de vida baseada na solidariedade e na autonomia.
O que está em jogo não é apenas Rojava nem o destino do povo curdo. A ofensiva que começou com o genocídio em Gaza e se estende agora ao Curdistão faz parte de uma estratégia imperialista global, conduzida por Estados que disputam territórios, recursos e zonas de influência, sacrificando populações inteiras. Somos, como humanidade, tratados como corpos descartáveis pela máquina de guerra do capital.
OS POVOS EM LUTA PELA REVOLUÇÃO DE ROJAVA PRECISAM DE NÓS!!
Diante de tal perigo e de tais destruições das magníficas conquistas des revolucionáries dessa região, o CCLA chama à ação es seus-suas simpatizantes e militantes e organiza no dia sábado 24/01/2026 às 18h30 uma reunião no seu local para preparar um ato de apoio à revolução na Síria e aos povos que lutam ao lado dos curdos nesse processo em curso há mais de uma década.
Também, compartilhamos aqui um panfleto para baixar, imprimir e distribuir durante atos de solidariedade ou em torno de vocês às pessoas que não conhecem a situação: